domingo, 26 de abril de 2015

Colonização Dos Estados Unidos 

Para compreendermos um pouco mais sobre a matéria retratada em sala de aula, indicamos alguns filmes.

 1-   Patriota
   Benjamin Martin (Mel Gibson) foi o herói de um violento conflito. Desde o término da guerra ele renunciou à luta, vivendo em paz com sua família. Quando os ingleses levam a guerra da independência americana para dentro de sua casa, Benjamin não vê outra saída a não ser pegar nas armas novamente, desta vez acompanhado por seu filho idealista (Heath Ledger), e liderar uma brava rebelião em uma batalha contra o implacável e equipado exército britânico.


1-  Revolução
              Século XVII. Tom Dobb (Al Pacino) se vê envolvido pela confusão gerada pela Guerra da Independência dos Estados Unidos. Ele e seu filho Ned (Dexter Fletcher) procuram se manter alheios ao conflito, mas quando o jovem é convocado a lutar contra a Inglaterra o pai entra na guerra também. No exército Ned torna-se ajudante de Steven Berkoff (Donald Sutherland), um sádico oficial. Enquanto isso Tom se envolve com Daisy McConnahay (Nastassja Kinski), uma viúva que teve sua fortuna confiscada devido a guerra .             

grupo 3

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Lista de filmes sobre a Revolução Inglesa

  Morte ao Rei 
O filme aborda os desdobramentos da Revolução Puritana na Inglaterra, que culminou na condenação e decapitação do rei Carlos I, enfocando a relação entre o general Fairfax e Oliver Crommwel.

                                              A Bela do Palco 
Em 1660 os papéis femininos no teatro eram sempre representados por homens. Ned Kynaston (Billy Crudup) é o ator inglês mais conhecido por interpretar mulheres, graças ao seu talento e também à sua beleza. Entretanto o rei Charles II (Rupert Everett) se cansa de ver sempre os mesmos rostos no palco e ordena que as mulheres também integrem as companhias teatrais. Com isso Ned perde sua função nas peças, perdendo completamente sua utilidade. Desiludido, ele vê apenas o suicídio como alternativa até que recebe a ajuda de Maria (Claire Danes), sua ex-camareira, que agora se tornou atriz. 

                                A Letra Escarlete 
Em 1666 em MassachussettsBay Colony, uma bela mulher (Demi Moore) casada com um médico (Robert Duvall) chega na localidade na frente do marido, com a incumbência de providenciar um lar para o casal. Mas ela fica apaixonada por um reverendo (Gary Oldman), que tem por ela os mesmos sentimentos. No entanto, eles reprimem tais emoções pelo fato dela ser casada, mas quando ela supõe que seu marido foi morto pelos índios ela se sente livre e acaba ficando grávida do reverendo. Mas, como apesar de ficar presa e socialmente marginalizada ela se recusa a dizer o nome do pai da criança, passa então a portar um "A" de adúltera bordado em cores vermelhas em suas roupas, como símbolo de sua vergonha perante a sociedade local. 

               Cromwell - O Chanceler de Ferro 
O filme Cromwell de 1970, está baseado na vida e feitos de Oliver Cromwell que liderou as forças do Parlamento de Inglaterra durante a Guerra Civil Inglesa e, mais tarde com o título de Lord Protetor, dirigiu a Grã Bretanha e Irlanda em meados do século XVII. Se destaca o filme com um elenco cheio estrelas cinematográficas, com Richard Harris como Cromwell e Alec Guinness como o Rei Carlos I da Inglaterra

Iluminismo e a Ciência

 "Nos séculos XVII e XVIII, enquanto as idéias iluministas se espalhavam pela Europa, uma febre de novas descobertas e inventos tomou conta do continente. O avanço científico dessa época colocou à disposição do homem informações tão diferentes quanto a descrição da órbita dos planetas e do relevo da Lua, a descoberta da existência da pressão atmosférica e da circulação sangüínea e o conhecimento do comportamento dos espermatozoides. 
Iluminismo e a Ciência

                      A Astronomia foi um dos campos que deu margem às maiores revelações. Seguindo a trilha aberta por estudiosos da Renascença, como Copérnico, Kepler e Galileu, o inglês Isaac Newton (1642.1727) elaborou um novo modelo para explicar o universo. Auxiliado pelo desenvolvimento da Matemática, que teve em Blaise Pascal (1623.1662) um de seus maiores representantes, ele ultrapassou a simples descrição do céu, chegando a justificar a posição e a órbita de muitos corpos siderais. 
                    Além disso, anunciou ao mundo a lei da gravitação universal, que explicava desde o movimento de planetas longínquos até a simples queda de uma fruta. Newton foi ainda responsável por avanços na área do cálculo e pela decomposição da luz, mostrando que a luz branca, na verdade, é composta por sete cores, as mesmas do arco-íris. 
                   Tanto para o estudo dos corpos celestes como para a observação das minúsculas partes do mundo, foi necessário ampliar o campo de visão do homem. Os holandeses encarregaram-se dessa parte, descobrindo que a justaposição de várias lentes multiplicava a capacidade da visão humana. 
                   Tal invento possibilitou a Robert Hooke (1635-1703) construir o primeiro microscópio, que ampliava até 40 vezes pequenos objetos (folhas, ferrões de abelha, patas de insetos). Esse cientista escreveu um livro sobre suas observações e criou o termo célula, hoje comum em Biologia.
              As primeiras experiências com a então recém-descoberta eletricidade demonstraram que o corpo humano é um bom condutor elétrico, O menino suspenso por cordas Isolantes recebe estímulos elétricos nos pés, os quais são transmitidos à outra criança (à esquerda), a quem esta dando a mão.
              A Biologia progrediu também no estudo do homem, com a identificação dos vasos capilares e do trajeto da circulação sanguínea. Descobriu-se também o princípio das vacinas — a introdução do agente causador da moléstia no organismo para que este produza suas próprias defesas.
            Na Química, a figura mais destacada foi Antoine Lavolsier (1743-1794), famoso pela precisão com que realizava suas experiências. Essa característica auxiliou-o a provar que, “embora a matéria possa mudar de estado numa série de reações químicas, sua quantidade não se altera, conservando-se a mesma tanto no fim como no começo de cada operação”. Atribuiu-se a ele igualmente a frase: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
           Além dos nomes citados, houve muitos outros inventores e estudiosos que permitiram, por exemplo, a descoberta da eletricidade; a invenção da primeira máquina de calcular; a formulação de uma teoria, ainda hoje aceita, para explicar a febre; a descoberta dos protozoários e das bactérias. Surgiu mesmo uma nova ciência — a Geologia —, a partir da qual se desenvolveu uma teoria que explicava a formação da Terra, refutando a versão bíblica da criação do mundo em sete dias.
Iluminismo e a Ciência
Desenho esquemático do microscópio de Robert Hooke.
            Tendo herdado o espírito curioso e indagador dos estudiosos renascentistas, os pesquisadores dos séculos XVII e XVIII construíram teorias e criaram inventos, em alguns casos posteriormente contestados pela evolução da ciência. Sua importância, entretanto, é inegável, tendo sido fundamental para os progressos técnicos que culminaram na Revolução Industrial. "

sexta-feira, 17 de abril de 2015

PAC - Conteúdo - Estudem !!!!

Conteúdo para o PAC desse bimestre. 
Saliento que o conteúdo cobrado será: 
*Iluminismo
*Liberalismo
*Conceito de Revoluções Burguesas e identificação das mesmas  
*Revolução Inglesa.

Revolução? - Conteúdo PAC

O que é Revolução ?
                                  A definição de uma revolução varia de acordo com a corrente histórica
                                                           Revolução, uma experiência possível?
Ao estudarmos o conceito de revolução, nos deparamos com uma interessante “crise” onde não conseguimos bem ao certo encontrar um consenso pelo qual possamos dar uma única significação a esse termo. Isso tudo porque as experiências históricas definidas como “revolucionárias”, nem sempre são o reflexo exato de uma concepção previamente estabelecida.

A partir daí nos preocupamos sobre qual tipo de fato histórico pode ser considerado “revolucionário”. O termo revolução, à primeira vista, refere-se a toda e qualquer transformação radical que atinja drasticamente os mais variados aspectos da vida de uma sociedade. Nesse sentido, as mudanças proporcionadas por certo acontecimento deveriam ser julgados como revolucionárias por todo e qualquer estudioso que pesquisasse um mesmo tema.

No entanto, percebemos que as perspectivas históricas nem sempre concordam entre si. Muitos historiadores preocupam-se em refletir, por exemplo, sobre os “limites” de uma determinada revolução. Dessa forma, cria-se uma verdadeira contradição onde não sabemos com absoluta certeza se um fato histórico foi ou não foi revolucionário. Poderíamos assim dizer que, na verdade, não existem revoluções?

De acordo com correntes de compreensão marxista, uma revolução só pode ser experimentada quando todos os pontos fundamentais que sustentam o statu quo de uma
sociedade invertem-se completamente. Com isso, admiti-se que se as relações de trabalho, a hierarquia social, as práticas econômicas ou hábitos cotidianos permanecem após uma mudança histórica, exclui-se a possibilidade de uma revolução.

Um dos casos mais notórios desse tipo de contradição pode ser observado nas revoluções acontecidas entres os séculos XVII e XVIII. A queda do Antigo Regime favoreceu a ascensão
política da burguesia, porém manteve – sob outros parâmetros – a exploração das classes trabalhadoras. Até por isso, muitos historiadores chamam tais transformações de “revoluções burguesas”.

Com essa indefinição, certas correntes históricas só reconhecem uma revolução em concordância com termos bastante definidos. Outras já relativizam o termo, admitindo que seja impossível a deflagração de uma revolução total. A partir dessas diferentes concepções, cria-se um acalorado debate onde se discute a possibilidade de condições históricas que transforme radicalmente uma sociedade ou se toda e qualquer transformação não consegue atingir um patamar revolucionário.

Seria difícil decretar uma resposta final a esse debate sobre as revoluções. No entanto, em nada podemos desmerecer certo tipo de compreensão histórica em detrimento da outra. Enquanto isso, podemos discutir na pluralidade de perspectivas novas compreensões das mais brandas ou mais agitadas experiências históricas. Sejam elas revolucionárias ou não.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


Liberalismo - Conteúdo PAC


A retórica do liberalismo e da mão invisível do mercado à luz da história, artigo de Carlos José Saldanha Machado
Não há capitalismo globalizado sem Estado nacional, ou seja, não há capitalismo global sem poder regional porque o poder regional é que organiza a globalização

O autor é antropólogo, professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Uerj e representante titular do Fórum de Reitores das Universidades do Estado do RJ. Artigo enviado pelo autor ao 'JC e-mail' (cjsmac@uerj.br):

No século 18, paralelamente à evolução do papel da burguesia no nascimento do império britânico, uma aspiração social para a independência política, religiosa, moral e econômica veio suplantar a tradicional subordinação da sociedade ao Estado e a Igreja.

A doutrina liberal é a expressão desta mutação moral (tolerância, independência e confiança nos efeitos benéficos da liberdade), política (independência do legislativo e do judiciário em relação ao executivo) e econômico (o indivíduo procura alcançar seu interesse pessoal através do livre jogo da concorrência).

O liberalismo nasce, então, com base na idéia de que um sistema de leis naturais governa a atividade humana e tende naturalmente para o melhor equilíbrio. Basta deixar livre a concorrência entre os indivíduos ('laisser faire') para se alcançar o melhor equilíbrio possível.

Para Adam Smith, o pai da economia política e do liberalismo econômico, o trabalho cria a riqueza. Para aumentá-la, é necessário aprimorar o trabalho pela divisão das suas tarefas: a especialização e a economia de escala se tornarão os princípios da produção industrial.

A motivação que impulsiona o homem para o trabalho é seu interesse privado, mas o liberalismo ensina que o indivíduo livre que procura alcança seu interesse privado obtém um resultado inesperado: criando riqueza, ele trabalha necessariamente para que a sociedade tenha um maior ganho.

Acredita-se que as leis naturais do liberalismo asseguram a estabilidade ótima do sistema à partir do livre jogo das vontades particulares, mesmo que estas sejam egoístas.

O equilíbrio do mercado se realiza à partir dos ciclos da oferta e da demanda. Um produto raro é caro, o que impulsiona um grande número de empresários a oferecer esse produto, mas quando a oferta aumenta e a demanda é satisfeita, o preço baixa e somente aquele que pode baixar seus preços permanece no mercado.

Assim, acredita-se que a lei da concorrência eliminaria implacavelmente os péssimos empresários, para a felicidade dos consumidores.

A condição necessária para o funcionamento 'natural' das leis do mercado é que os agentes econômicos sejam suficientemente pequenos para que não possam modificar as regras do jogo porque, se o Estado ou um monopólio qualquer controlar os preços e embaralhar o livre jogo da concorrência, o modelo liberal não funciona.

Para a teoria liberal, o Estado deve 'laisser faire', não pode perturbar as leis 'naturais'.

Ele deve, simplesmente, vigiar a evolução da massa monetária para evitar que os ganhos dos produtores sejam afetados pela inflação e diminuir ao máximo a carga fiscal para não deixar de motivar os produtores para a busca do lucro, principal motor do desenvolvimento.

Contudo, um dos paradoxos do liberalismos é que, face a expansão dos primeiros trustes [acordo ou combinação entre empresas, geralmente ilegal, com o objetivo de restringir a concorrência e controlar os preços], são os Estados nacionais que tomaram medidas anti-trustes par impor as 'leis naturais' do mercado.

No plano internacional, apesar do que se observa cotidianamente, afirma-se ainda que o livre mercado permitiria aumentar a divisão internacional do trabalho, melhorar a racionalidade global do mercado mundial globalizado e impulsionar uma dinâmica geral de crescimento.

Para a infelicidade dos liberais, a história tem mostrado que o liberalismo tem engendrado o aumento das desigualdades e o livre mercado é, freqüentemente, sinônimo de troca desigual que enriquece somente os ricos.

Produzir riqueza não significa a sua distribuição entre o maior número de pessoas porque, segundo a teoria liberal, é melhor produzir bens fúteis para uma demanda regional e/ou de um país onde o nível de vida dos consumidores é suficientemente alta para comprar um produto, que bens úteis para uma demanda com baixo poder aquisitivo.

Isso explica a longa indiferença da indústria farmacêutica multinacional diante da morte de milhões de africanos por malária, em sua maioria, crianças de famílias pobres.

Ao mesmo tempo, como tem demonstrado inúmeros cientistas sociais, no teatro de operações da economia mundial a globalização da economia depende, cada vez mais, dos Estados nacionais ao invés da livre iniciativa dos agentes econômicos; não há capitalismo globalizado sem Estado nacional, ou seja, não há capitalismo global sem poder regional porque o poder regional é que organiza a globalização.
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=10693








Ideologia da ''liberdade'' - PAC - Atividade

A ideologia da “liberdade” liberal

“Somos livres para fazer quando temos o poder de fazer”
(Voltaire)
Os defensores do liberalismo, que se apresentam como mensageiros da libertação da humanidade, não se cansam de repetir que é necessário reduzir o Estado para aumentar a liberdade dos indivíduos na sociedade. Mas, em que consiste essa “liberdade”? Quais são os indivíduos que se tornam mais “livres” com o liberalismo e quais são as conseqüências da “liberdade” liberal para o conjunto da sociedade?
A idéia predominante do liberalismo é de que através do livre mercado as potencialidades humanas seriam, automaticamente, estimuladas em benefício de uma coletividade. O grande inimigo da “liberdade” seriam as instituições coletivas, como o Estado, por pretenderem regrar os indivíduos de acordo com um interesse coletivo. Partindo do pressuposto de que a liberdade é marcada pela ausência de condições e limites, uma liberdade negativa, portanto, o seu exercício se daria através da predisposição natural de autodeterminação do indivíduo.
A origem dessa concepção de liberdade remonta ao período de ascenção da burguesia com o advento do capitalismo e o fim do poder absolutista feudal. Para a burguesia, progressista e revolucionária da época, o feudalismo, amparado na absolutização da idéia de que a liberdade é uma dádiva divina, seria substituído pelo predomínio da propriedade privada dos meios de produção e do mercado. É essa a liberdade do indivíduo, centralmente reivindicada pelos liberais. Esse conceito de liberdade, que passa a se confundir com a idéia de justiça liberal, foi documentado por ocasião da Revolução Francesa, em 1791, como sendo o livre arbítrio do indivíduo o “agir livremente sem interferir na liberdade do outro”.
Essa proclamação da liberdade do indivíduo, repetida mundialmente pelo senso comum, privatiza o próprio conceito de liberdade como sendo, simplesmente, derivada da consciência individual do ser humano e prevê um único limite, o qual realmente lhe interessa: a propriedade privada dos meios de produção como um direito humano, que integra a Declaração Universal dos Direitos Humanos até hoje, em seu artigo 17. A afirmação da importância da propriedade é tão enfática que chega a ser vista como a própria origem da liberdade. Respeitando a divisa da propriedade do outro, a livre concorrência se encarregaria de regrar as relações entre os seres humanos. Ao Estado, caberia a função de zelar pelo cumprimento dos dogmas centrais do liberalismo, concentrando-se em atividades como “educar” os cidadãos para o exercício dos seus “direitos e deveres” e a repressão dos que viessem a subverter a nova ordem estabelecida. Nesse contexto, entretanto, os liberais revolucionários de outrora se tornam os novos conservadores e resistem à idéia de superar o Estado, para usá-lo como aparato ideológico e repressivo a serviço dos seus interesses de classe dominante. 
Mas, é possível ao indivíduo social agir sem interferir na liberdade de outro? Se assim o fosse, a burguesia poderia ter abdicado das funções ideológicas e repressivas do Estado, apostando exclusivamente numa suposta essência da liberdade humana “natural”. A liberdade, antes de se constituir em valor, é uma relação do ser humano com a natureza e a sociedade. É, ao mesmo tempo, um desejo de autodeterminação do ser humano, mas sempre situado e relativo a uma totalidade a que ele pertence. Como a liberdade do indivíduo, ao contrário do que afirmam os liberais, sempre está imbricada com a liberdade da coletividade, a condição humana em sociedade implica em limites, condicionamentos e escolhas. Nesse aspecto, a possibilidade de poder optar, decidir e agir de forma autônoma, passa a adquirir uma importância central para a liberdade.
É precisamente em função do reconhecimento da existência de uma relação limitada do indivíduo humano com a totalidade que surgem as diferentes concepções acerca da liberdade. Para o absolutismo da Idade Média, Deus, como o criador de tudo, ocupava o lugar desta totalidade e a liberdade humana consistiria em agir conscientemente de acordo com a vontade divina. O aspecto revolucionário dos liberais foi a negação da totalidade divina e a afirmação de um novo dogma em seu lugar: a liberdade “natural”, decorrente da propriedade na sociedade. O que é social, portanto, passa a ser naturalizado. As convenções sociais, estabelecidas pela nova classe dominante em ascenção, passam a ser dogmatizadas e a nova totalidade é “batizada” de livre mercado. Mas, o que haveria de natural nesta “liberdade”?
O ser humano é parte da natureza e, na sua relação com o que é natural, vão se efetivando modos de produção e relações sociais. Através do trabalho estão criadas as condições de sociabilidade humana: os seres humanos interagem com o mundo natural e entre si e, nesse processo, modificam a si mesmos. Diferentes dos animais, portanto, os seres humanos não estão determinados e acabados. É na relação com o meio e seus limites que o ser humano transforma e se transforma a si mesmo, produzindo, ao longo da história, a cultura humana.
A cultura humana, portanto, não tem nada de natural e é um processo inacabado. O ser humano, consciente desse inacabamento, é potencialmente livre, pois o seu ser está permeado da possibilidade qualitativa do vir-a-ser. Ao se apropriar das condições que lhe permitem uma maior humanização é que o ser humano passa a experienciar uma liberdade real e não meramente interior, de caráter subjetivo. Cada progresso da cultura humana, nesse sentido, é um avanço rumo a uma maior liberdade humana. A liberdade do indivíduo, portanto, não consiste em estar independente da sociedade e do seu desenvolvimento. Pelo contrário, ela somente se efetiva na possibilidade real de desenvolver e satisfazer necessidades e capacidades humanas em sociedade.
O trabalho é um processo concreto, de objetivação do mundo. O ser humano se exterioriza na natureza que se transforma em seu “corpo inorgânico” e, ao transformar a realidade objetiva, o indivíduo entra em contato com outros seres humanos, construindo relações sociais geradoras de consciência: um processo de subjetivação, portanto. Esse processo de exteriorização e internalização, constituinte da liberdade humana, no entanto, é interrompido nas sociedades de classes, uma vez que os proprietários dos meios de produção transformam o sujeito trabalhador em objeto. O trabalho explorado, a serviço do capital, se converte em trabalho abstrato, em meio produtor de mercadorias que se manifesta ao trabalhador como estranho a ele mesmo. No trabalho assalariado, o ser humano perde o controle de sua própria ação em relação ao mundo e com os outros e, assim, o que seria o processo de humanização se converte em dominação.
Não basta, portanto, a liberdade subjetiva de fazer algo se o poder e as condições objetivas da realidade impedem a ação. Isso os liberais revolucionários haviam compreendido na sua época e deram um passo significativo ao se contraporem ao poder absolutista da Igreja, propondo a liberdade, a igualdade e a fraternidade como valores centrais para o convívio humano em sociedade. Com o desenvolvimento da sociedade capitalista e do livre mercado, porém, a crescente desigualdade impede o exercício da liberdade do indivíduo. Formalmente, todos são reconhecidos como livres e iguais; na realidade, porém, os trabalhadores estão em uma condição de desigualdade e subordinação em relação aos proprietários dos meios de produção, dependendo de um salário que corresponda à sua possibilidade de reprodução.
Por isso, o que se entende por liberdade no capitalismo expressa um caráter ideológico de classe. Enquanto para os proprietários dos meios de produção a liberdade consiste na liberdade de explorar e dominar a classe trabalhadora, para satisfazer seus interesses e necessidades, os trabalhadores só conquistam determinadas liberdades através da sua constante luta organizada na sociedade. A defesa da mera liberdade de “livre concorrência” nesse contexto significa defender a liberdade dos capitalistas em continuar explorando seres humanos, acabando com possíveis instrumentos regulativos que venham a restringir a hegemonia e o enriquecimento privado da classe dominante. Para os trabalhadores, a conquista da liberdade depende da emancipação do trabalho alienado, através da socialização dos meios de produção e da subordinação da economia aos interesses humanos, o que implica na superação do mercado e da lógica da concorrência como elementos reguladores da vida em sociedade.
A conquista da liberdade real, portanto, entra em confronto com as concepções do liberalismo, o qual reduz a liberdade humana à luta desenfreada dos seres humanos entre si pela satisfação de necessidades materiais. A possibilidade de superação do reducionismo liberal, que concebe o ápice da liberdade na acomodação humana à lógica da produção e do consumo, fundamenta a utopia de que o humanismo como projeto humano não foi concluído com o advento do capitalismo. Uma liberdade humana efetiva só é possível através da superação das relações sociais geradoras de exploração, dominação e alienação, inerentes aos dogmas da propriedade privada e do mercado. A liberdade constitui um valor revolucionário e sua defesa consciente implica no desmascaramento das tentativas de sua instrumentalização por parte da classe dominante na sociedade capitalista. Ao contrário, ela ficará reduzida a uma mera ideologia – no sentido de falsificação social e política.

Vocabulário:
Liberdade negativa: corresponde à fruição do poder privado (a liberdade dos modernos) ao passo que a liberdade positiva preocupa-se com o problema da legitimidade da participação política. De acordo com o conceito negativo, alguém é livre quando ninguém, um homem ou um grupo, interfere em sua faculdade de agir.
Senso comum:  designação científica para o conjunto de formulações (compreensões) que se estabelecem a partir de conhecimentos não formais, adquiridos a partir da experiência, da vivência.

01- Leia atentamente o texto, circulando palavras e termos desconhecidos. Consulte o dicionário e solucione suas dúvidas.
02- De acordo com o texto há consenso sobre o que vem a ser liberdade? Explique.
03- Comente a afirmativa de Voitaire: “Somos livres para fazer quando temos o poder de fazer”


04- Responda as questões formuladas pelo autor no primeiro parágrafo.